A vigilância da gravidez é um dos pilares do acompanhamento de saúde materno-infantil em Portugal. Para além das consultas regulares de obstetrícia, as análises clínicas permitem detetar precocemente situações que, se não tratadas, podem comprometer o bem-estar da mãe e do bebé. Neste artigo, explicamos quais são as análises habitualmente recomendadas ao longo dos três trimestres, o que avaliam e por que razão são importantes.
Nota: Este artigo tem carácter exclusivamente informativo. As análises a realizar em cada gravidez são definidas pelo médico obstetra ou médico de família, de acordo com a situação clínica individual de cada mulher.
Por Que São Importantes as Análises na Gravidez?
A gravidez é um período de grandes transformações fisiológicas. O organismo materno adapta-se continuamente para suportar o desenvolvimento do feto, o que pode originar alterações nos valores de referência de diversos parâmetros laboratoriais. Monitorizar esses valores ao longo dos nove meses permite ao profissional de saúde ajustar a vigilância, prescrever suplementação adequada e atuar preventivamente.
Em Portugal, o Programa Nacional de Vigilância da Gravidez de Baixo Risco, coordenado pelo Serviço Nacional de Saúde, define um conjunto de análises e exames a realizar em cada trimestre, a maioria comparticipada.
Análises do Primeiro Trimestre (até às 13 semanas)
O primeiro trimestre é um momento de avaliação inicial abrangente. Na primeira consulta pré-natal, o médico solicita habitualmente um painel alargado de análises que inclui:
- Hemograma completo – avalia os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Permite identificar anemia, muito comum na gravidez, em especial por défice de ferro ou ácido fólico.
- Grupo sanguíneo e fator Rh – essencial para detetar incompatibilidade Rh entre mãe e bebé e, se necessário, planear a profilaxia com imunoglobulina anti-D.
- Glicemia em jejum – rastreio precoce de diabetes gestacional ou pré-existente.
- Ureia, creatinina e ácido úrico – avaliação da função renal.
- Serologia para rubéola – determina se a grávida é imune. A rubéola na gravidez pode causar malformações graves no feto.
- Serologia para toxoplasmose – identifica imunidade prévia ou infeção ativa, com implicações diretas no feto.
- Serologia para sífilis (VDRL/RPR) – a sífilis não tratada pode ser transmitida ao feto.
- Pesquisa de VIH (HIV) – o diagnóstico precoce permite instituir terapêutica e reduzir drasticamente o risco de transmissão vertical.
- Pesquisa de hepatite B (AgHBs) – permite planear a profilaxia do recém-nascido de mãe portadora.
- Urina tipo II e urocultura – deteção de infeções urinárias assintomáticas, frequentes na gravidez e potencialmente associadas a parto prematuro.
- TSH (hormona estimulante da tiróide) – rastreio de disfunção tiroideia, que pode afetar o desenvolvimento neurológico do bebé.
É também neste trimestre que se realiza o rastreio combinado do primeiro trimestre (entre as 11 e as 13 semanas e 6 dias), que conjuga a ecografia de translucência da nuca com marcadores bioquímicos séricos (PAPP-A e β-hCG livre) para avaliar o risco de trissomias como a Síndrome de Down.
Para apoiar o organismo nesta fase de grande exigência nutricional, muitas grávidas recorrem a suplementos específicos para a gravidez, como o Natalben Supra ou o Gestacare Gestação, formulados com ácido fólico, iodo, ferro e outros micronutrientes. Consulte sempre o seu médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer suplemento.
Análises do Segundo Trimestre (14 a 27 semanas)
Neste período, a vigilância laboratorial centra-se sobretudo no rastreio da diabetes gestacional e na reavaliação de parâmetros que possam ter sofrido alterações.
- Prova de tolerância à glicose oral (PTGO) com 75 g – realizada entre as 24 e as 28 semanas, é o exame de referência para o diagnóstico de diabetes gestacional, uma das complicações mais frequentes da gravidez.
- Hemograma – reavaliação da anemia, especialmente se os valores iniciais estavam no limite ou se a suplementação com ferro foi iniciada.
- Urina tipo II e urocultura – repetida ao longo da gravidez pela elevada prevalência de infeções urinárias assintomáticas.
- Serologia para toxoplasmose (se negativa no primeiro trimestre) – repetida mensalmente ou de dois em dois meses para detetar eventual seroconversão.
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Análises do Terceiro Trimestre (28 semanas até ao parto)
Na reta final da gravidez, as análises têm como objetivo preparar o parto com o máximo de segurança para mãe e bebé.
- Hemograma – avaliação da anemia pré-parto, determinante para reduzir o risco de complicações hemorrágicas.
- Coagulação (TP, aPTT) – avaliação da capacidade de coagulação, especialmente relevante em contexto de anestesia epidural ou cesariana.
- Rastreio do estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae) – exsudado vaginal e retal entre as 35 e as 37 semanas. A colonização pela bactéria pode causar infeção grave no recém-nascido; se positivo, a grávida recebe antibiótico durante o trabalho de parto.
- Urina tipo II e urocultura – repetida conforme indicação clínica.
- Serologia para VIH e sífilis – repetidas no terceiro trimestre em algumas situações de risco ou por protocolo hospitalar.
Nesta fase, o conforto físico também merece atenção. Uma cinta de gravidez pode ajudar a aliviar as dores lombares associadas ao aumento do peso abdominal. Consulte o farmacêutico para escolher o modelo mais adequado à sua situação.
Outros Exames Complementares de Diagnóstico
Para além das análises ao sangue e à urina, a vigilância pré-natal inclui ecografias (primeiro, segundo e terceiro trimestres), cardiotocografia e, em casos selecionados, diagnóstico pré-natal invasivo (amniocentese ou biópsia das vilosidades coriónicas). Estes exames são prescritos pelo médico obstetra com base na avaliação do risco individual.
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Fontes e Informação Adicional
Para informação oficial sobre a vigilância da gravidez em Portugal, consulte as orientações da Direção-Geral da Saúde — Saúde Materna. Para esclarecimentos sobre medicamentos e suplementos durante a gravidez, o Infarmed disponibiliza informação específica para grávidas e mulheres a amamentar. Evidência científica sobre suplementação com ácido fólico pode ser encontrada em EFSA — Folic Acid.
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