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Compreender a Doença de Parkinson: Causas, Sintomas e Cuidados

O que é a Doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é uma perturbação neurológica progressiva que afeta o sistema nervoso central, comprometendo gradualmente o controlo do movimento. Trata-se de uma das doenças neurodegenerativas mais comuns no mundo, estimando-se que em Portugal existam cerca de 20 000 pessoas diagnosticadas, embora os valores reais possam ser superiores devido a casos não identificados.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1817 pelo médico inglês James Parkinson, na sua obra An Essay on the Shaking Palsy. Desde então, o conhecimento científico evoluiu consideravelmente, mas muitos aspetos da sua origem continuam a ser estudados.

Como Surge a Doença de Parkinson?

A principal causa conhecida da doença de Parkinson é a perda progressiva de neurónios numa região do cérebro denominada substância negra. Estes neurónios são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor fundamental para coordenar movimentos suaves e controlados. Quando os níveis de dopamina diminuem de forma significativa, surgem os sintomas motores característicos da doença.

Fatores de Risco

  • Idade: o risco aumenta significativamente a partir dos 60 anos, sendo mais raro antes dos 50.
  • Sexo: os homens têm uma probabilidade ligeiramente superior de desenvolver a doença em comparação com as mulheres.
  • Hereditariedade: uma pequena percentagem dos casos tem componente genética identificada, embora a maioria seja de origem esporádica.
  • Exposição ambiental: o contacto prolongado com determinados pesticidas e toxinas industriais tem sido associado a um risco acrescido.
  • Traumatismos cranianos: lesões repetidas na cabeça podem constituir um fator predisponente.

É importante sublinhar que a presença de um ou mais fatores de risco não determina o desenvolvimento da doença. Se tiver dúvidas sobre a sua situação de saúde, consulte o seu médico ou farmacêutico.

Sintomas da Doença de Parkinson

Os sintomas da doença de Parkinson dividem-se em dois grandes grupos: motores e não motores. A progressão e a intensidade variam muito de pessoa para pessoa, o que torna cada caso único.

Sintomas Motores

  • Tremor em repouso: é frequentemente o primeiro sinal percebido, manifestando-se tipicamente nas mãos ou nos dedos quando estão relaxados.
  • Bradicinesia: lentidão dos movimentos, que pode dificultar tarefas simples do quotidiano, como abotoar uma camisa ou escrever.
  • Rigidez muscular: sensação de tensão ou resistência nos membros e no tronco, podendo causar dor e limitar a amplitude de movimento.
  • Instabilidade postural: dificuldade em manter o equilíbrio, aumentando o risco de quedas, especialmente nas fases mais avançadas.
  • Alterações na marcha: passos mais curtos, arrastados e dificuldade em iniciar o movimento.

Sintomas Não Motores

Muitas vezes menos valorizados, os sintomas não motores podem preceder os motores em vários anos e têm um impacto significativo na qualidade de vida:

  • Perturbações do sono, incluindo insónia e comportamentos anormais durante o sono REM
  • Alterações cognitivas e, em fases avançadas, demência
  • Depressão e ansiedade
  • Obstipação e outros problemas gastrointestinais
  • Perda do olfato (hiposmia)
  • Hipotensão ortostática (queda de pressão arterial ao levantar)
  • Dificuldades na fala e na deglutição

Como é Feito o Diagnóstico?

Não existe atualmente um exame laboratorial ou de imagem que confirme inequivocamente a doença de Parkinson. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do doente, na observação dos sintomas e na resposta à medicação com levodopa. O médico neurologista é o especialista de referência para este processo.

Exames complementares, como a ressonância magnética, podem ser solicitados para excluir outras causas de parkinsonismo. A monitorização regular é essencial, uma vez que os sintomas evoluem ao longo do tempo.

A importância do diagnóstico precoce não se limita à doença de Parkinson. Existem outras condições que podem ser detetadas de forma atempada com recurso a testes adequados — por exemplo, condições autoimunes do sistema digestivo podem ser rastreadas com ferramentas como o Prima Auto-Teste Doença Celíaca, disponível na A Tua Farmácia para quem quer monitorizar a sua saúde de forma proativa.

Tratamentos e Gestão da Doença

Atualmente não existe cura para a doença de Parkinson, mas existem tratamentos eficazes para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O plano terapêutico é sempre personalizado e deve ser definido em conjunto com a equipa médica.

Tratamento Farmacológico

A levodopa continua a ser o medicamento mais eficaz para o controlo dos sintomas motores, sendo frequentemente combinada com outros fármacos que prolongam o seu efeito. Com o tempo, pode ser necessário ajustar a medicação para gerir complicações como as flutuações motoras e as discinesias.

Intervenções Não Farmacológicas

  • Fisioterapia: fundamental para manter a mobilidade, o equilíbrio e prevenir quedas.
  • Terapia da fala: ajuda a preservar a comunicação e a deglutição segura.
  • Terapia ocupacional: apoia a adaptação das atividades diárias e do ambiente doméstico.
  • Exercício físico regular: estudos indicam que a prática regular de exercício pode contribuir para abrandar a progressão de alguns sintomas.
  • Nutrição adequada: uma dieta equilibrada, rica em fibra, é especialmente importante para combater a obstipação associada à doença.

Estimulação Cerebral Profunda

Em casos selecionados, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser uma opção cirúrgica que oferece melhorias significativas nos sintomas motores. Esta decisão deve ser avaliada cuidadosamente pela equipa de neurologia.

O Papel dos Cuidadores e da Família

A doença de Parkinson não afeta apenas o doente — o impacto estende-se aos familiares e cuidadores, que desempenham um papel central no apoio diário. É fundamental que os cuidadores também tenham acesso a informação, suporte psicológico e momentos de descanso. Associações como a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk) oferecem recursos valiosos para doentes e famílias.

Se acompanha alguém com esta doença, não hesite em falar com o farmacêutico sobre soluções práticas para o quotidiano, desde a gestão da medicação à prevenção de quedas em casa.

Perguntas frequentes

A doença de Parkinson é hereditária?

Na maioria dos casos, a doença de Parkinson não é hereditária. Apenas uma pequena percentagem — estimada entre 10 a 15% — apresenta uma causa genética identificada. Contudo, ter familiares próximos com a doença pode representar um fator de risco ligeiramente aumentado. Se tiver preocupações, consulte o seu médico para uma avaliação individualizada.

Qual é a diferença entre a doença de Parkinson e o parkinsonismo?

O parkinsonismo é um termo mais amplo que descreve um conjunto de sintomas motores semelhantes aos da doença de Parkinson — como tremor, rigidez e lentidão de movimentos — mas que podem ter causas distintas, como outros síndromes neurodegenerativos, efeitos secundários de medicamentos ou lesões cerebrais. O diagnóstico diferencial é realizado pelo neurologista.

A doença de Parkinson afeta apenas pessoas idosas?

Embora seja mais frequente a partir dos 60 anos, a doença de Parkinson pode surgir em pessoas mais jovens. Quando o diagnóstico ocorre antes dos 50 anos, designa-se Parkinson de início precoce. Nestes casos, os fatores genéticos têm frequentemente um peso maior.

Existe alguma forma de prevenir a doença de Parkinson?

Até à data, não existe nenhuma forma comprovada de prevenir a doença de Parkinson. Contudo, alguns estudos sugerem que o exercício físico regular, uma dieta saudável e evitar a exposição a toxinas ambientais podem contribuir para reduzir o risco. Manter hábitos de vida saudáveis é sempre uma boa prática, independentemente do risco de doenças neurológicas.

Quem devo consultar se suspeitar de sintomas de Parkinson?

Perante sintomas como tremores persistentes, lentidão de movimentos ou rigidez muscular inexplicada, deve consultar o seu médico de família, que poderá encaminhá-lo para um neurologista. Um diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento atempadamente e gerir melhor a progressão da doença.

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